Sábado, Junho 28, 2008

Omnisciência - Teatro Aberto














Na peça, o vídeo é tão importante como a palavra.
Em palco, o espaço é aberto, há apenas um ecrã e uma pequena sala fechada com um vidro,
de forma a funcionar como mais um ponto de vigia das acções das personagens.
Dois grandes espelhos ampliam o espaço e funcionam também como câmaras.
O elenco é composto por Cristina Carvalhal, Albano Jerónimo, João Reis e Inês Rosado.
Conta histórias de um mundo onde os cidadãos são permanentemente vigiados,
onde já não tem nada até a vida privada.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Hoje acordei assim



Hoje tropecei nisto...

Domingo, Junho 22, 2008

"Todos os dias!"

Sexta-feira, Junho 20, 2008

Não sei nunca por onde





















Se me esfolassem agora
encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos

De mim, continuariam a nada entender.
Quanto a eu, sei que sou teu.

Manuel Cintra

Quinta-feira, Junho 19, 2008

A minha reflexão :: Untitled
















Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Performed by Scarlett Johansson

Terça-feira, Junho 17, 2008

UNTITLED - Uma peça para galeria

Untitled,
uma atmosfera magnífica e única.
Momentos e sentimentos que se cruzam, que falam de coisas das quais geralmente não pensamos mas sentimos quando vamos a uma galeria, e que são misturadas pela visão de um artista.
Um momento muito interessante

















Concepção, Texto, Cenografia, Selecção de imagens e Montagem sonora: ANDRÉ MURRAÇAS

Vozes: ANABELA BRÍGIDA, MARCELLO URGEGHE e ELÁDIO CLÍMACO
Participação de: YANN GIBERT


14 a 21 de Junho

Appleton Square
Rua Acácio Paiva, nº 27 - r/c - Alvalade, junto à Av. da Igreja

Todos os dias às 22h00
Para grupos, sob marcação às 17h00, 18h00, 19h00 e 24h00

M/12 anos :: Entrada Livre
Reservas e informações:
21 342 01 36 96 188 04 01

Domingo, Junho 15, 2008

Holidays end, i know it's over





















Já estou a sentir o chão a fugir-me dos pés.
O mar a querer-me levar,
a areia a deixar ficar o meu rasto para eu voltar.
E eu sei que acabou - mas ainda me agarro.
Não sei bem como evitar.
Mas acabou, acabou, acabou, acabou...
Eu sei que acabou.

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Afinal, também havia sardinhas
















É certo que não costumo festejar os Santos Populares,
não como sardinhas nem gosto muito de cerveja nem dos costumes bairristas.
Mas muito a pedido de um amigo,
lá me convenceu ir a uma festa na casa de um amigo da amiga dele,
que tinha não sei quantos amigos que conhecia, já se sabe como são estas festas...
A casa ficava para os lados do Cais do Sodré.
Para lá chegar só de táxi, pois Lisboa estava invadida
por gente com sardinha na boca e cerveja na mão.
Tarefa mais difícil foi ainda subir os lances de escadas até ao sexto andar sem elevador.
Mas valeu a pena, a casa estava recheada de bom gosto,
fomos bem recebidos, havia música portuguesa a tocar,
circulava uma vontade de divertimento e bem estar.
A casa, um sonho, decorada com motivos da época, estava tudo pensado ao pormenor.
O melhor ainda estava para vir, a chegada a varanda/terraço,
com uma vista privilegiada de Lisboa, um sonho para quem ama esta cidade.
A festa era mesmo ali, haviam muitas caras,
até conhecia algumas incluindo um dos anfitriões da Casa.
Havia, cerveja e bom vinho para combater a noite quente e as longas conversas e risadas que nos acompanharam toda a festa.

A iguaria da noite foi o coração de rena, que o "Rosald" trouxe da Noruega da sua terra natal. Não provei, não fui capaz, "mas diz que" era muito bom.
Foi assim uma noite que não esquecerei, conheci gente interessante,
embriaguei-me de tudo o que a festa tinha para dar, e fica uma vontade de passar mais noites assim.
Esqueci-me de mencionar um grande pormenor:
Afinal, também havia sardinhas...

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Feist - Para quem foi e para quem ficou em casa

Sam Sparro, definitively.

Quarta-feira, Junho 11, 2008

MINHA CABEÇA ESTREMECE COM TODO O ESQUECIMENTO





















Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia, relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto.
Teciam-se em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção.
Com alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete.
Sou alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

in «Ou o Poema Contínuo»
Herberto Helder (Funchal, 1930)


Terça-feira, Junho 10, 2008

E o que mais lá estiver



Era eu naquela estrada
Mas tu não podias ver-me
Muitas luzes, e nada perto daqui.
Era eu naquela estrada,
Continuas sem poder ver-me
E a seguir, relâmpagos e explosões
O fim da estrada está a ficar mais perto
Nós percorremos distancias mas não juntos.
Eu sou a tempestade, eu sou o maravilhoso.
E a seguir, relâmpagos e explosões repentinas.
Eu não sei mais sobre o que perguntar.
Eu tinha feito apenas um desejo, era sobre ti e o sol.
Uma manhã corre.
A história do meu criador,
o que eu tenho, pelo que eu sinto dor.
Eu tenho ouvidos de ouro.
Eu corto, eu espeto, e o que mais lá estiver.
O fim da estrada está a ficar mais perto.
Nós percorremos distancias ainda separados.
Se eu fosse a tempestade,
Se eu fosse o maravilhoso, haveriam relâmpagos, pesadelos e explosões repentinas.
Não há nenhum quarto que eu possa ir e tu também tens segredos.
Eu não sei mais sobre o que perguntar.
Eu tinha feito apenas um desejo


What Else Is There (tradução)
(Röyksopp)

Segunda-feira, Junho 09, 2008

5 minutos de tudo





















Por favor,
dá-me cinco minutos de tudo.
Nesses dias quando tu acordas,
e não há ninguém ao teu lado.
Os meus braços movem-se devagar para o meu lado esquerdo
e para o meu lado direito, não há lá ninguém.
Para te beijar ou para te ouvir.
E tu saís da cama,
pensando nesses dias que precisas.
Tu costumas falar e falar sobre isso tudo.
Esses dias quando vais até a um bar,
e tentas manter conversa com outro alguém.
E não há ninguém.
Lá fora, podes sentar-te ou andar,
não há ninguém ali.
Cinco minutos de amor.
Cinco minutos de ódio.
Cinco minutos, eu vou tentar chamar o teu nome.
Cinco minutos de paixão.
E ninguém sabe o sitio certo para ir.
Nenhum significado ou só em legitima-defesa, talvez.
E tu sais daqui.
Tu precisas de falar com alguém.
E tu sabes que os problemas estão à espera.
Pra lá da porta.
Estão à espera.
O relogio não vai parar.
Mesmo que pare.
Cinco minutos de amor.
Cinco minutos de ódio.
Cinco minutos e vou tentar chamar pelo teu nome.
De paixão.
Cinco minutos de tudo.
De tudo.
Talvez queiras falar de questões antigas.
Junto ao meu ouvido.
Mas não me importam essas coisa tontas.
Porque tudo o que eu preciso são cinco minutos de tudo.

Tradução (Five Minutes Of Everything - The Gift)

Domingo, Junho 08, 2008

Há Uma Hora (Mario Cesariny)

Há Uma Hora, um gosto, um desencontro

I
Gosto do meu oposto.
Do meu gentil sensato,
e do meu agressivo responsável.
Gosto do meu consciente.
e do meu do exacto...
mas também gosto do impreciso.

II
Dos outros gosto do meio...
do texto...
do equilibrio...
do ponto antes do final...
mais do ponto.

III
Agora não... talvez mais tarde...
mas não tão tarde, nem tão cedo...
agora.

Adaptado By Ambrosine & A Companhia Das Palavras Berrantes