Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Terça-feira, Dezembro 30, 2008
Segunda-feira, Dezembro 29, 2008
Sexta-feira, Dezembro 19, 2008
Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
Terça-feira, Dezembro 16, 2008
de profundis amamus

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
Mário Cesariny
Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
Poema em linha recta!
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsávelmente parasita,
Indesculpávelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos...
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Terça-feira, Dezembro 09, 2008
Queria de ti um pais...
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma"
By Mário Cesariny
Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
Se não estiveres realmente aqui

as estrelas caíram
e os meus rasgos aumentaram
agora que eu estou a olhar
procuro o lugar onde o teu mundo
se ajusta ao meu em movimento
se não estiveres realmente aqui
então as estrelas não me interessam
agora eu encho ao alto com medo
mas tudo é vago demais
apenas um movimento importa
se não estiveres realmente aqui
então eu não vou querer ser um qualquer
eu sinto algo de uma maneira
além de que outros podem ver
eu não vejo o que posso sentir
se a visão me falha
como faço se for a única validação
então a maioria da minha vida não é real
se não estiveres realmente aqui
eu não vou querer mais estar ao teu lado
Adaptado by Black and Gold Sam Sparro
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
A Fronteira do Amanhecer

Filmado num perfeito e belo, preto e branco
Carole é uma estrela de cinema que vive sozinha porque o marido partiu para Hollywood. François, fotógrafo vai a sua casa fotografá-la. Tornam-se amantes ao abrigo dos olhares dos outros. Mas Carole é uma mulher perturbada que dedica a François um amor louco...
Subscrever:
Mensagens (Atom)









