Inaugura hoje, no Pavilhão 28 - Espaço Expositivo do Centro Hositalar Psiquiátrico de Lisboa
Esta exposição propõe a criação de novos espaços de interacção, de diálogo e comunicação. Cada artista é um contador de histórias que se torna actor dentro do ambiente que o rodeia. Os territórios são despojados de fronteiras e na sua ambivalência, eles criam diálogos de interacção.
Se uma Gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa Num desenho que fizesse Nesse céu onde um olhar É uma asa que não voa Esmurece e cai no Mar
Que perfeito coração No meu peito bateria Meu Amor na tua mão Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração
Se um Portugues marinheiro Dos sete mares andarilho Fosse quem sabe o primeiro A contar-me o que inventasse Se um olhar de novo brilho Ao meu olhar se enlaçasse
Que perfeito coração No meu peito bateria Meu Amor na tua mão Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração
Se ao dizer Adeus à vida As aves todas do céu Me dessem na despedida O teu olhar derradeiro Esse olhar que era só meu Amor que foste o primeiro
Que perfeito coração Morreria no meu peito Meu amor na tua mão Nessa mão onde perfeito Bateu o meu coração....
Portugal recebeu ontem a No Smoking Orchestra, banda onde o realizador Emir Kusturica toca guitarra. O grupo sérvio subiu ao palco montado na Arena do Campo Pequeno, para mais uma noite de festa à moda dos Balcãs. A festa começa no palco e transborda em poucos segundos para a plateia. Parar parece ser proibido para os oito músicos, que divertem-se como crianças. O vocalista dr. Nele Karajlić surgiu como um autêntico morcego sérvio, vestido de maillot azul com riscas brancas e vermelhas nas mangas e longas asas. Ele que ao quarto tema da noite decidiu passear no meio da plateia enquanto cantava «Upside Down» e quase me passou por cima.
"...Acordo, adormeço, acordo e ergo-me meio debruçado para a frente, ao lado da cama. Obrigo-me a fazer o que toda a gente faz. Obrigo-me a fazer o que me obrigam a fazer. Não acontece quase nada, pelo menos quase nada que seja alguma coisa que me fique na memória. Na memória da alegria. Na lembrança do contentamento. Está frio, nestes dias. As pessoas caminham na rua, tentam disfarçar a tristeza com sorrisos mal esboçados. Alguns “bom dia” desviam a melancolia que, logo à frente, encontra a rotunda com saida obrigatória para o mesmo caminho. Volta a melancolia. Nenhum disfarce é suficiente. Nada é suficiente. Eu não sou suficiente. O mundo não é suficiente. Não acontece nada. O que acontecer, não é suficiente. Falta-me o sabor de um beijo, o abraço daqueles que não quero abraçar. Nunca quis abraçar. Afasto-me dos corpos, rejeito o amor. O amor nunca é suficiente. Assumo a preferência pelo sofrimento a sós. Nada mudaria com um sofrimento em dose dupla porque o amor nunca é suficiente. Mas sinto vontade e sinto incapacidade..."
"Por que faço eu sempre o que não queria? Que destino contínuo se passa em mim na treva? Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?
O meu destino tem um sentido e tem um jeito, A minha vida segue uma rota e uma escala Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito Daquilo que faço e sou: não me iguala
Não me compreendo nem no que, compreeendendo, faço. Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim. É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço. Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim."
Hoje venho dizer-te que morreste e que velo o teu corpo no meu leito, um corpo estranho e surdo um corpo incompreensível
aquele desespero que deixou de ter forças para erguer os portais do outro reino tristeza de menino a quem tiraram tudo, até a tinta e as flores e o prazer de gritar
esse (foi visto) deve subsistir porque é a tua maneira de tomar banho no cosmos, olhar o cosmos como os que ainda podem interrogar as ondas e morrer
mas tu ainda não sabes a que ponto morreste; vais até à janela, aspiras com cuidado o oxigénio que o espaço te oferece, apontas rindo a meiga criatura que pela rua arrasta a sua condição de animal fulminado
depois olhas para mim, olhas as tuas mãos, e elas ambas, tão claras, tão seguras, são as mãos de um soldado a arder em febre, aves a percorrer o seu novo deserto
mas tu sabes, tu vistes, e mais do que eu; a mão do homem é doce e iluminada como a noite como um rasto de fumo sobre os hospitais
tivemos uma história mas a história foi-se, em fileiras angélicas e gratas, a fazer a manhã de outras paragens; outra sombra, outros olhos semelhantes
noutro leito nas nuvens deito os teus cabelos, o teu cansaço e a minha miséria, os teus braços e os meus, altos como cidades, altos como flores
parou o automóvel, lá em baixo, e eu não tenho mais que descer as escadas, fechar ainda a porta do teu quarto, atravessar de um pulo a minha própria vida
Idealizado por Nuno Gonçalves, dos The Gift, o álbum junta três vozes do pop rock português – Sónia Tavares (The Gift), Fernando Ribeiro (Moonspell) e Paulo Praça (ex-Turbo Junkie), um disco que revela novos arranjos pop para fados popularizados por Amália Rodrigues, chega às lojas em Abril.
é um grupo informal de pessoas unidas pelo interesse e pela paixão pela literatura. Reúne todas as terças-feiras no Club Farense (na baixa de Faro) pelas 21.30. Escreva: texto-al@hotmail.com