Domingo, Maio 31, 2009
Sábado, Maio 30, 2009
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus...
By Eugénio de Andrade
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Cada um o seu Cinema
Um filme absolutamente único, realizado por ocasião dos 60 anos do Festival de Cannes, o festival de cinema mais importante do mundo, reúne o modo como 33 cineastas de 25 países olham o cinema e as salas de cinema, lugar de comunhão dos cinéfilos do mundo inteiro. Objecto cinematográfico imperdível, autêntico compêndio do estado do mundo do cinema e das singularidade de cada cineasta.
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Solidão de papel
não me fales mais
dessa solidão de papel
eu ainda tenho a sede das oliveiras
a paciente sede
dos rios que nunca chegam
dos rios avistados
que não se podem tocar
eu ainda tenho a dor da terra queimada
a fortíssima dor
das chuvas que não voltam
das raízes que morrem
sem poder gritar
o teu nada
é só mais um perfume!
e eu
eu tenho sangue na voz
tenho no peito o grito do lobo
a imensa tristeza de uma lua
que o céu não quis
gil t. sousa
poemas
2001
dessa solidão de papel
eu ainda tenho a sede das oliveiras
a paciente sede
dos rios que nunca chegam
dos rios avistados
que não se podem tocar
eu ainda tenho a dor da terra queimada
a fortíssima dor
das chuvas que não voltam
das raízes que morrem
sem poder gritar
o teu nada
é só mais um perfume!
e eu
eu tenho sangue na voz
tenho no peito o grito do lobo
a imensa tristeza de uma lua
que o céu não quis
gil t. sousa
poemas
2001
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Segunda-feira, Maio 25, 2009
DIAS ÚTEIS :: Catarina Botelho
Catarina Botelho mostra três séries de fotografias num edifício pombalino, bem no meio do Chiado, antigos escritórios da Editora Bertrand. Até 18 de Julho no número 31 da Rua da Anchieta, em Lisboa.
Retrato de corpo inteiro
No azul do teu peito
ensolarado
há espelhos de cristal
multiplicando imagens.
Emergem risos
lágrimas
promessas
olhares infantis
perdidamente
infinitamente
apaixonados
adolescentes.
A vida renasce
das tuas mãos
tremulas
entrelaçadas
— há muito tempo entrelaçadas —
Reencontradas.
No espaço secreto
da memória,
nosso retrato
- De corpo inteiro -
É o quadro mais bonito
que se pode iluminar.
By Anna Maria Feitosa
ensolarado
há espelhos de cristal
multiplicando imagens.
Emergem risos
lágrimas
promessas
olhares infantis
perdidamente
infinitamente
apaixonados
adolescentes.
A vida renasce
das tuas mãos
tremulas
entrelaçadas
— há muito tempo entrelaçadas —
Reencontradas.
No espaço secreto
da memória,
nosso retrato
- De corpo inteiro -
É o quadro mais bonito
que se pode iluminar.
By Anna Maria Feitosa
Domingo, Maio 24, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
MUDE

O «Museu do Design e da Moda» (MUDE) inaugurou ontem com a exposição «Ante-estreia».
O MUDE está localizado na rua Augusta e pode ser visitado das 10h às 20h de terça-feira a domingo.
Em exposição estão 170 peças de design e da moda da colecção de Francisco Capelo, que foi adquirida em 2002 pela Câmara Municipal de Lisboa, que retratam histórias e acontecimentos do século XX e XXI.
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Terça-feira, Maio 19, 2009
Casulo
acordei
desliguei-me do meu mundo
levei-me bem devagar
até chegar ao dos outros
e o dia foi passando
fiquei preocupado
não aconteceu nada de bom
tive vontade de chorar
então esperei que anoitecesse
para voltar ao casulo
desliguei-me do meu mundo
levei-me bem devagar
até chegar ao dos outros
e o dia foi passando
fiquei preocupado
não aconteceu nada de bom
tive vontade de chorar
então esperei que anoitecesse
para voltar ao casulo
Segunda-feira, Maio 18, 2009
Domingo, Maio 17, 2009
Sábado, Maio 16, 2009
Quase, sempre quase...
COLLAPSE
Quase me lembrei
Quase me esqueci
Quase que bebi demais
Quase te beijei
Quase morri
Quase me apaixonei
Quase que fui capaz...
Quase me lembrei
Quase me esqueci
Quase que bebi demais
Quase te beijei
Quase morri
Quase me apaixonei
Quase que fui capaz...
Sexta-feira, Maio 15, 2009
tudo se pode esconder nos olhos mais nus. esta descoberta transforma-te e transforma o mundo em que te moves.
gil t. sousa
falso lugar
2004
falso lugar
2004
Quinta-feira, Maio 14, 2009
Quarta-feira, Maio 13, 2009
Terça-feira, Maio 12, 2009
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Domingo, Maio 10, 2009
Sábado, Maio 09, 2009
Hoje parece domingo
(Gloomy Sunday)
Os domingos são tenebrosos
As minhas horas sem sono
Queridas as inúmeras sombras
Com as quais convivo
Pequenas flores brancas
Não te acordarão
Não onde o coche negro
Da dor te levou
Os anjos não pensam
Em te devolver jamais
Será que eles ficariam zangados
Se eu me juntasse a ti?
Domingo tenebroso
Tenebrosos são os Domingos
Passados nas sombras
O meu coração e eu
Decidimos acabar com tudo
Daqui a pouco haverão flores
E orações que dizem saber
Mas não os deixem chorar
Deixem saber o quão feliz estou por partir
A morte não é um sonho
Pois na morte eu te acaricio
Com o último suspiro da minha alma
Eu te abençoarei
Domingo Tenebroso
Sonhando
Eu estava apenas sonhando
Acordo e encontro-te a dormir
No fundo do meu coração
Meu querido, eu espero
Que o meu sonho nunca te persiga
O meu coração me diz
O quanto eu te quero
Domingo Tenebroso
Domingo Tenebroso
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Terça-feira, Maio 05, 2009
Domingo, Maio 03, 2009
e o céu o mar prolongava
"Na boca dum marinheirodo frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada..."
Sábado, Maio 02, 2009
Amália Hoje :: Foi Deus
Não sei, não sabe ninguém
Porque canto fado, neste tom magoado
De dor e de pranto . . .
E neste tormento, todo sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus, que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar
Ai, foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
Fez o espaço sem fim
Deu luto as andorinhas
Ai . . .deu-me esta voz a mim
Se canto, não sei porque canto
Misto de ventura, saudade, ternura, e talvez de amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando, se tem um desgosto
E o pranto no rosto nos deixa melhor
Foi Deus, que deu voz ao vento
Luz no firmamento
E pôs o azul nas ondas do mar
Ai foi Deus, que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar
Fez o poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu flores à primavera ai
E deu-me esta voz a mim
Sexta-feira, Maio 01, 2009
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