para a Gaivota
Deste teu passo,
que passa da ousadia.
Passo que era incapaz,
mas tiveste força.
Não percebo
porque te queres esquecer,
não será melhor,
caso a tua vida
não assim tanto
como desejarias,
tentar aproximar
desejas?
Quanto possível
também poderias fazer,
pois por vezes cortejamo-nos
todos um pouco
objectivo a cama.
interesse
já amei algumas,
a sua condição
um processo de auto-conhecimento
quero cada vez ser mais eu,
amo muito
um homem, uma mulher.
É estranho
alguém que não conheço
na realidade sinto
que posso contar.
Quarta-feira, Julho 29, 2009
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Ainda
Vou dizendo
Certas coisas
Vou sabendo
Certas outras
São verdades
são procuras
Amizades
Aventuras
Quem alcança
Mora longe
Da mudança
Do seu nome
Alegria
Vão tristeza
Fantasia
Incerteza
São verdades
São procuras
Amizades
Aventuras
Quem avança
Guarda o amor
Guarda a esperança
Sem favor
Ainda
Ainda
Ainda
Ainda
retiro de cada instante
digo mais uma vez:
como
se fosses
o vento
passaste
pela minha
vida –
passaste por este bloco apaixonado, primitivo, alucinado, obscuro, rumoroso, desprendido, fatigado, perseverante, abrasado – como se fosses apenas uma visita subtil da brisa irrompeste por este campo silencioso, inquieto, duríssimo, taciturno, abjecto, obstinado, espesso, inventado – como se mais não fosses do que uma fresca brisa matinal visitaste esta pequena ilha cruel, à deriva, transparente, dissolvida no seu sal, estéril, fantástica, humilde, incandescente que foi o meu corpo, o espaço vulnerável do meu comércio.
E abandonaste-me.
Num deserto que não conhecia.
Com uma casa inteira para percorrer com os meus passos por dentro da noite.
Ou fui eu quem te
abandonou?
by casimiro de brito
como
se fosses
o vento
passaste
pela minha
vida –
passaste por este bloco apaixonado, primitivo, alucinado, obscuro, rumoroso, desprendido, fatigado, perseverante, abrasado – como se fosses apenas uma visita subtil da brisa irrompeste por este campo silencioso, inquieto, duríssimo, taciturno, abjecto, obstinado, espesso, inventado – como se mais não fosses do que uma fresca brisa matinal visitaste esta pequena ilha cruel, à deriva, transparente, dissolvida no seu sal, estéril, fantástica, humilde, incandescente que foi o meu corpo, o espaço vulnerável do meu comércio.
E abandonaste-me.
Num deserto que não conhecia.
Com uma casa inteira para percorrer com os meus passos por dentro da noite.
Ou fui eu quem te
abandonou?
by casimiro de brito
Domingo, Julho 26, 2009
Demo, um musical Praga

Teatro Municipal São Luiz
de 17 de Julho a 2 de Agosto
5ª a Sábado às 21h00
Domingo às 17h30
Demo tem uma narrativa. É uma história de amor (mas também pode ser um drama histórico ou um conto de fadas, um remake sem original de referência, uma tragédia política, uma biografia desactualizada, um pesadelo...). Não a contam muito bem, porque já lá vai o tempo em que isso se fazia. Mas há uma protagonista. Baptizaram-na de Savitri. Vem das águas onde moram os crocodilos. Regressa à terra natal após longa ausência. E impõe uma nova ordem. Há quem goste. Até porque quem não gosta é lançado aos crocodilos.
Demo é um musical de inspiração indiana, made in Teatro Praga e que conta com a música dos americanos Kevin Blechdom e Christopher Fleeger, e do estónio Andres Lõo. Embrulhamos questões filosóficas, éticas, sociais e culturais em chansons-papel-de-rebuçado. O rebuçado é para todos: colorido e agradável ao paladar, mas duro de trincar e letal para a dentição. É democrático, demente e demolidor.
Sábado, Julho 25, 2009
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Amigo
"...e de esguelha olhamos um para o outro, sem palavras,
os cantos dos olhos limpos como pontas de lança
pousadas no parapeito para mostrar
que aqui um amigo se senta com um amigo."
Retirado - Primitivos by sharon olds
os cantos dos olhos limpos como pontas de lança
pousadas no parapeito para mostrar
que aqui um amigo se senta com um amigo."
Retirado - Primitivos by sharon olds
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Terça-feira, Julho 21, 2009
poema 15 ou 18
Não há homem verdadeiramente sozinho de
coração a esquecer a parecer
idiota com banco e negras
forma salto finalmente
o pálido o alemão com passo com porta
os momentos que se apoderam
há momentos que se apoderam nada mais se
move na sala de fumo conversas de
peito indignado a mover-se na sala de fumo um rapaz
muito bem talvez um rapaz discretamente envolvente
bem talvez envolvente
dois retratos a negociar-nos de chapéu alto de chapéu
alto se dorme suavemente
e as mãos as mãos as mãos são pouco sacrifício agora
de murmúrio diluído em receio se
é delicioso se há momentos que se apoderam do
mar ao longe a face a declarar guerra branca como
interior do vidro como troçar de nós mesmos um
minuto destes será quase vazio será
todo à beira desta cama não ouso
este pequeno papel espera não estou longe morrer
é afinal um dia bonito imóvel de vez até lá domir
comer tomei banho até lá que é afinal imóvel de vez até lá
até sempre
ter o sol todo coisa teatral por baixo lisboa
e eu nesta rua branca a vislumbrar um aborrecimento inteiro.
by alexandre moreira
coração a esquecer a parecer
idiota com banco e negras
forma salto finalmente
o pálido o alemão com passo com porta
os momentos que se apoderam
há momentos que se apoderam nada mais se
move na sala de fumo conversas de
peito indignado a mover-se na sala de fumo um rapaz
muito bem talvez um rapaz discretamente envolvente
bem talvez envolvente
dois retratos a negociar-nos de chapéu alto de chapéu
alto se dorme suavemente
e as mãos as mãos as mãos são pouco sacrifício agora
de murmúrio diluído em receio se
é delicioso se há momentos que se apoderam do
mar ao longe a face a declarar guerra branca como
interior do vidro como troçar de nós mesmos um
minuto destes será quase vazio será
todo à beira desta cama não ouso
este pequeno papel espera não estou longe morrer
é afinal um dia bonito imóvel de vez até lá domir
comer tomei banho até lá que é afinal imóvel de vez até lá
até sempre
ter o sol todo coisa teatral por baixo lisboa
e eu nesta rua branca a vislumbrar um aborrecimento inteiro.
by alexandre moreira
Segunda-feira, Julho 20, 2009
Pensamento Portátil
No que escrevo, respira-se muita verdade nas entrelinhas. É um pouco depressivo e demasiado complicado,
mas compreende-se muito bem as personagens das minhas estórias...
Museu Nacional de Arte Contemporânea :: Museu do Chiado

João Pedro Vale, Feijoeiro, 2004 (En)
Temporary Exhibition
João Pedro Vale,
07.07.2009 - 31.10.2009
Temporary Exhibition MODERN ART IN PORTUGAL:FROM AMADEO TO PAULA REGO 02.07.2009 - 31.10.2009


Domingo, Julho 19, 2009
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Caprichos
...
27
venho dormir junto de ti
e o meu corpo é uma coisa diferente
do que se vê ou toca ou sente;
é, fora de mim, essa coluna de ar onde respiro,
olhos que beijam o teu corpo exacto,
as muitas mãos que dobram o teu rosto.
Um deus que dorme, um deus que dança, e mais
que um mero deus, o breve amor do tempo.
...
António Franco Alexandre
“Quatro Caprichos”
27
venho dormir junto de ti
e o meu corpo é uma coisa diferente
do que se vê ou toca ou sente;
é, fora de mim, essa coluna de ar onde respiro,
olhos que beijam o teu corpo exacto,
as muitas mãos que dobram o teu rosto.
Um deus que dorme, um deus que dança, e mais
que um mero deus, o breve amor do tempo.
...
António Franco Alexandre
“Quatro Caprichos”
Quinta-feira, Julho 16, 2009
It's a very, very Mad World

All around me are familiar faces Worn out places - worn out faces Bright and early for their daily races Going nowhere - going nowhere And their tears are filling up their glasses No expression - no expression Hide my head I want to drown my sorrow No tommorow - no tommorow And I find it kind of funny I find it kind of sad The dreams in which I'm dying Are the best I've ever had I find it hard to tell you 'Cos I find it hard to take When people run in circles It's a very, very Mad World Children waiting for the day they feel good Happy Birthday - Happy Birthday Made to feel the way that every child should Sit and listen - sit and listen Went to school and I was very nervous No one knew me - no one knew me Hello teacher tell me what's my lesson Look right through me - look right through me And I find it kind of funny I find it kind of sad The dreams in which I'm dying Are the best I've ever had I find it hard to tell you 'Cos I find it hard to take When people run in circles It's a very, very Mad World
Quarta-feira, Julho 15, 2009
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Domingo, Julho 12, 2009
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Quarta-feira, Julho 08, 2009
Terça-feira, Julho 07, 2009
Tenho raízes que há muito não se iluminam, portas que nem eu sei da chave e memórias esquecidas numa caixa de sapatos.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Dias que passam...
Passa o dia passae eu passo aqui
passo mal
passa o dia devagar
não passa de tanto esperar
vejo os que passam
e eu aqui
no mesmo lugar...
Domingo, Julho 05, 2009
Quarta-feira, Julho 01, 2009
em acrílico forte
não sei
a que cidade cheguei
lembro-me de ter vinte anos
e cegar
perdi
o que nenhum homem sabia perder
e alguém me disse:
- desenha a tua morte
e eu peguei nos meus olhos
e fiz este silêncio negro
porque os meus olhos
eram negros
e neles é que eu guardava
a vida e a morte
foi há muito tempo
pois sou um homem muito velho
sou tão velho
como a distância do caminho que percorri
lembro-me que fui
que fui, como o sangue vai numa veia
até ao coração
do nada
até sofrer a eternidade
como uma pedra ou um planeta
fui na gota de mim
ao oceano de mim
e agora cheguei
sem saber onde cheguei
estou no mais abstracto
de um ser
estou na minha alma
ou no meu sonho
estou na essência
do que faz enlouquecer
sinto-o na cor forte
que me devolve os olhos
no estranho calor
que me concede humanidade
não sei
a que mundo cheguei
sou um velho
que ensaia o seu olhar
e há esta cidade estranha
onde não corre o vento
onde nenhum céu vigia
nenhum horizonte define
estou sentado
num prado de aço
e nenhuma estrada
foi escrita
nenhum rio
foi pintado
nenhum ser
foi dito
sou um velho
e ensaio o meu olhar
exerço-o no invisível
que precede as coisas
que está antes do objecto
antes do ser
e tenho nas mãos
a ciência dos gestos
tenho a Arte
sou o talento da vida
por isso
gota a gota
dou-me
um mar
dou-me
os homens e as mulheres
e dou-me em cada um
a voz
todas as vozes
até ao esplendor do grito
e nesse rumor
nesse quase cantar
é que oiço o nome
do que me chama
não sei
que cidade me espera
sou um velho
sou um pássaro cego
que voa adormecido
os seus vinte anos
gil t. sousa - poemas, 2001
a que cidade cheguei
lembro-me de ter vinte anos
e cegar
perdi
o que nenhum homem sabia perder
e alguém me disse:
- desenha a tua morte
e eu peguei nos meus olhos
e fiz este silêncio negro
porque os meus olhos
eram negros
e neles é que eu guardava
a vida e a morte
foi há muito tempo
pois sou um homem muito velho
sou tão velho
como a distância do caminho que percorri
lembro-me que fui
que fui, como o sangue vai numa veia
até ao coração
do nada
até sofrer a eternidade
como uma pedra ou um planeta
fui na gota de mim
ao oceano de mim
e agora cheguei
sem saber onde cheguei
estou no mais abstracto
de um ser
estou na minha alma
ou no meu sonho
estou na essência
do que faz enlouquecer
sinto-o na cor forte
que me devolve os olhos
no estranho calor
que me concede humanidade
não sei
a que mundo cheguei
sou um velho
que ensaia o seu olhar
e há esta cidade estranha
onde não corre o vento
onde nenhum céu vigia
nenhum horizonte define
estou sentado
num prado de aço
e nenhuma estrada
foi escrita
nenhum rio
foi pintado
nenhum ser
foi dito
sou um velho
e ensaio o meu olhar
exerço-o no invisível
que precede as coisas
que está antes do objecto
antes do ser
e tenho nas mãos
a ciência dos gestos
tenho a Arte
sou o talento da vida
por isso
gota a gota
dou-me
um mar
dou-me
os homens e as mulheres
e dou-me em cada um
a voz
todas as vozes
até ao esplendor do grito
e nesse rumor
nesse quase cantar
é que oiço o nome
do que me chama
não sei
que cidade me espera
sou um velho
sou um pássaro cego
que voa adormecido
os seus vinte anos
gil t. sousa - poemas, 2001
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